Terremoto de 7,4 graus na Colômbia leva jovens de Quibdó a ajudar na reconstrução

Grupo batizado de "Los Bárbaros" reúne mais de 150 jovens que descarregam caminhões de ajuda em Quibdó após o sismo de 7,4 graus que deixou 331 mortos no país

“Los Bárbaros” de Quibó. (Crédito: Instagram/Reprodução)

Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia em 10 de agosto de 2026 e deixou 331 mortos no país. O epicentro afetou com mais força o departamento do Chocó, e a capital, Quibdó, mobilizando mais de 150 jovens para descarregar caminhões de ajuda humanitária.

O tremor começou às 7h34 daquele dia. Um dia depois, dois caminhões de ajuda chegaram à Diócesis de Quibdó, mas sem ninguém para descarregá-los. O convite divulgado por redes sociais reuniu dezenas de jovens dispostos a trabalhar sem receber pagamento. Entre eles estavam Yossuar Moreno Moreno, de 30 anos, conhecido como DJ Yomo, e Deimer Córdoba Murillo, de 27 anos, licenciado em Educação Física, Recreação e Esportes.

Como surgiu o nome “Los Bárbaros”

Os moradores que acompanhavam a cadeia humana de caixas passando de mão em mão começaram a gritar “que bárbaros” ao ver o ritmo e a força do trabalho. O apelido virou identidade. O grupo recebeu camisetas branca e preta, doadas por um particular e pela governadoria do Chocó, para se identificar durante os turnos.

As jovens que também participam do transporte de cargas são chamadas de “Las Barbaritas”. Juntos, eles descarregam desde alimentos enlatados e colchonetes até produtos de higiene menstrual, itens essenciais para as famílias atingidas pelo desastre.

Um trabalho que também protege

Quibdó enfrenta há anos a presença de grupos armados ligados ao Ejército de Liberación Nacional (ELN) e ao autodenominado Ejército Gaitanista de Colombia (EGC). Esses grupos recrutam jovens em situação de pobreza e sem acesso pleno a serviços como saúde e conectividade, um cenário que a reportagem do site Mutante atribui ao abandono histórico de uma região majoritariamente negra.

Deimer Córdoba Murillo afirma que o trabalho voluntário mudou seu estado de ânimo diante do risco de réplicas do tremor. Segundo ele, estar ocupado ajudando reduz a ansiedade de ficar em casa apenas acompanhando informações sobre a tragédia pelas redes sociais.

DJ Yomo descreve o papel do grupo como uma forma de levar energia e tradição cultural aos locais atingidos, sem deixar de reconhecer a gravidade do momento vivido pela cidade.

O contexto de violência contra jovens

Entre 2020 e 2024, Quibdó registrou 563 homicídios de crianças e jovens, segundo dados da Fundación Círculo de Estudios. Em 2023, o governo do presidente colombiano Gustavo Petro criou o Espacio de Conversación Sociojurídico de Paz Urbana em Quibdó, iniciativa que resultou em queda de 54% nos homicídios naquele ano em comparação com 2022.

A governadora do Chocó, Nubia Carolina Córdoba, anunciou que os jovens voluntários interessados em estudar na Universidad Tecnológica del Chocó (UTCH) terão bolsa garantida assim que a instituição retomar as atividades.

A rotina mudou para todos

Desde o terremoto, DJ Yomo trocou as noites de trabalho como DJ por manhãs organizando os turnos do grupo em um aplicativo de mensagens. Todos os dias, ele define o ponto de encontro e aguarda a chegada de novos caminhões para descarregar.

O modelo criado em Quibdó mostra como a resposta comunitária a um desastre natural pode se transformar em uma rede de apoio contínua, mobilizando quem antes enfrentava o estigma de ser visto apenas como ameaça em potencial.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Jornalista e fundador da Agência Macrocosmo. Atua há 15 anos em comunicação, com foco editorial em ciência, saúde, tecnologia e cultura.