O som de cigarra parece inofensivo, mas pode ultrapassar o limite seguro para os ouvidos humanos
Médico chinês explica por que o coro de cigarras pode passar de 85 decibéis e came danos auditivos temporários ou permanentes.

Um estudante de 18 anos identificado pelo sobrenome Yang sofreu perda auditiva temporária depois de passar quatro horas em um acampamento cercado pelo som de cigarras, no início de julho, em uma floresta de Ningbo, na província de Zhejiang, na China. O caso, reportado pelo South China Morning Post, viralizou nas redes sociais chinesas e ultrapassou 4,5 milhões de visualizações.
Yang ficou exposto ao som intenso das cigarras por volta do meio-dia, sem qualquer proteção auricular. À noite, sentiu os ouvidos inchados e com sensação de plenitude, além de dificuldade para escutar sons agudos, como o canto de pássaros e notificações do celular.
O que a exposição prolongada causa no ouvido
Yang foi diagnosticado com perda auditiva temporária induzida por ruído. Ele recuperou a audição normal após 14 dias de tratamento médico e afastamento de ambientes barulhentos.
Li Ji, médico sênior do departamento de otorrinolaringologia do Hospital Afiliado Nº 1 da Universidade de Ningbo, afirmou que a equipe atende diversos pacientes todo verão com o mesmo tipo de queixa provocada pelo som das cigarras.
Segundo Li, uma única cigarra emite som de 70 decibéis, patamar considerado inofensivo ao ouvido humano. Só que um coro de cigarras pode ultrapassar 85 decibéis, limiar a partir do qual começam os danos auditivos induzidos por ruído.
Por que o dano pode ser temporário ou permanente
Li explicou que as células ciliadas da cóclea podem inchar por causa da irritação provocada por ruído intenso durante um período curto. Essas células costumam se recuperar depois de 1 a 2 semanas de descanso, sem exposição a barulho.
Já quando as células ciliadas sofrem necrose, elas não se regeneram. Nesse caso, a perda auditiva se torna permanente e irreversível, e o paciente passa a depender de aparelho auditivo.
Li citou o caso de Liu, jardineiro de 60 anos que poda árvores todos os dias entre junho e agosto há 12 anos, sempre exposto ao som intenso das cigarras por longos períodos. Liu relatou zumbido nos ouvidos e dificuldade para escutar vozes femininas ou conversas em tom mais baixo. Segundo Li, Liu desenvolveu perda auditiva permanente induzida por ruído.
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