Proteína fermentada consegue construir músculo como o whey? Estudo responde

Estudo mostra que a proteína fermentada da Superbrewed iguala o whey e supera a ervilha na construção muscular.

(Crédito: Superbrewed Food)

A startup norte-americana Superbrewed Food comprovou que sua proteína pós-biótica SB1 iguala o whey na construção muscular. O resultado vem de estudo clínico conduzido com a Texas A&M University, nos EUA, e superou a proteína de ervilha.

A SB1, ingrediente desenvolvido pela Superbrewed Food, foi avaliada em estudo clínico independente com apoio do consórcio público-privado de biomanufatura BioMade. A pesquisa comparou a nova proteína ao whey protein isolado, considerado o padrão de referência para síntese proteica muscular, e à proteína de ervilha, a opção vegetal mais usada no mercado.

Dez adultos participaram do teste, de desenho cruzado, randomizado, controlado por placebo e cego para os voluntários. Em quatro dias não consecutivos, cada participante consumiu 45 gramas de uma das proteínas ao longo de cinco horas, em pequenos goles. Três horas após o início da ingestão, os pesquisadores aplicaram um pulso intravenoso com dez aminoácidos essenciais marcados para rastrear a absorção e o uso da proteína dentro das células.

Para Bryan Tracy, cofundador e CEO da Superbrewed Food, o resultado desafia uma limitação antiga do setor. “Durante anos, a indústria de proteínas alternativas pediu aos consumidores que trocassem nutrição por sustentabilidade. Este estudo independente, conduzido por um dos laboratórios de pesquisa em metabolismo de proteínas mais rigorosos do mundo, mostra que essa troca não precisa existir”, disse Tracy ao Green Queen.

Como funcionou o teste com aminoácidos marcados

O estudo é o primeiro a comparar diretamente a SB1 ao whey e à proteína de ervilha usando uma técnica inédita de pulso de isótopos estáveis, capaz de medir dois indicadores ao mesmo tempo. Um é o quanto da proteína ingerida chega à corrente sanguínea e o segundo é quanto dela a célula realmente aproveita para formar músculo novo.

“Esse método de pulso de isótopos estáveis nos permite medir não apenas quantos aminoácidos derivados da proteína aparecem no sangue depois de uma refeição, mas também com que eficiência o corpo realmente usa esses aminoácidos dentro da célula para construir nova proteína”, disse Nicolaas Deutz, pesquisador principal do estudo na Texas A&M University.

O que compõe a proteína fermentada da Superbrewed

A SB1 vem da fermentação anaeróbica, sem oxigênio, de microrganismos naturais do microbioma humano. A Superbrewed Food usa a bactéria Clostridium tyrobutyricum, que tem sabor neutro, resiste a variações de pH e temperatura e agrega propriedades funcionais ao ingrediente.

A empresa explica que os pós-bióticos são compostos bioativos produzidos pela microbiota intestinal e essenciais ao funcionamento do corpo humano. Diferente de um isolado de proteína, a SB1 é um ingrediente de alimento integral, com mais de 85% de proteína e alta concentração de aminoácidos essenciais e de cadeia ramificada. Ela também tem níveis relevantes de ferro, zinco, fósforo e vitamina B12.

Onde a SB1 se iguala ao whey e onde ainda tem limite

A síntese proteica intracelular líquida, ou seja, o percentual da proteína ingerida que a célula realmente transforma em músculo novo, foi estatisticamente parecida entre as três fontes, segundo a Texas A&M University: 65% para o whey deslactosado, 53% para a SB1 e 47% para a proteína de ervilha. A biodisponibilidade de aminoácidos, que mede quanto da proteína chega à circulação sanguínea, ficou em torno de 75% nas três.

As três proteínas mostraram uma falta parecida de lisina e metionina em relação à demanda das células, o que obriga o corpo a recorrer às próprias reservas de aminoácidos para compensar. “A lisina se mostrou o aminoácido limitante nas três fontes, inclusive no whey. Isso mostra que a qualidade da proteína não pode ser presumida a partir do rótulo, ela precisa ser medida diretamente, e a proteína pós-biótica se saiu bem nessa medição”, disse Deutz.

Os dados de aproveitamento também mostraram que formuladores precisariam adicionar menos aminoácidos essenciais à SB1 do que à proteína de ervilha para otimizar a qualidade nutricional. Para a Superbrewed Food, esse resultado indica uma base de aminoácidos superior à da proteína vegetal.

Como a Superbrewed pretende vender a proteína pós-biótica

A SB1 já tem aprovação para venda nos Estados Unidos e foca no mercado premium de nutrição esportiva. A empresa afirma que o ingrediente pode substituir ou complementar proteínas animais em análogos de carne, bebidas esportivas, produtos de panificação, confeitos e snacks, com bom desempenho, principalmente, em itens lácteos e não lácteos.

O momento favorece alternativas ao whey. Nos EUA, em dois anos, o custo do whey protein concentrado subiu 108% e o do whey protein isolado quase dobrou de preço, o que torna ingredientes como a SB1 cada vez mais relevantes para a indústria.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Jornalista e fundador da Agência Macrocosmo. Atua há 15 anos em comunicação, com foco editorial em ciência, saúde, tecnologia e cultura.