Jardim particular reduz risco de diabetes tipo 2, aponta estudo

Estudo achou ligação entre área de jardim particular, número de parques por perto e menor incidência de diabetes

(Crédito: Unsplash)

Pessoas com maior proporção de jardim particular ao redor de casa têm risco reduzido de desenvolver diabetes tipo 2. A conclusão vem de um estudo com 423.282 participantes do UK Biobank, banco de dados britânico de saúde.

A pesquisa foi conduzida por Chinonso Christian Odebeatu e colegas da Universidade de Queensland, na Austrália, e publicada na revista BMC Public Health.

Os pesquisadores usaram dados do mapeamento Ordnance Survey MasterMap para calcular a porcentagem de jardim particular em um raio de 100 metros da casa de cada participante. Ao longo de um acompanhamento médio de 15,41 anos, 19.648 pessoas desenvolveram diabetes tipo 2.

Quem estava no quarto e maior quartil de cobertura de jardim particular teve risco 7% menor da doença em comparação com quem estava no quartil mais baixo, mesmo depois de ajustar fatores como idade, tabagismo e histórico familiar.

Como os pesquisadores mediram o acesso a áreas verdes

A equipe não olhou só para jardins privados. Ela também calculou a distância de cada casa até o parque público mais próximo, usando a distância em linha reta e a distância real pelas ruas caminháveis.

As duas formas de medir a distância até o parque mais próximo não mostraram relação com o risco de diabetes tipo 2. O fator que fez diferença foi o número de parques públicos dentro de um raio de 800 metros da residência, distância equivalente a uma caminhada de 10 a 15 minutos.

Quantidade de parques pesa mais que a distância

Participantes com acesso a mais de três parques nesse raio de 800 metros tiveram risco 5,7% menor de diabetes tipo 2 em comparação com quem tinha apenas um parque ou nenhum por perto. Segundo os autores, isso sugere que a variedade de opções de parques pode importar mais do que simplesmente morar perto de um único parque, já que espaços diferentes atraem tipos diferentes de uso e atividade física.

O estudo também mostrou que a distância calculada em linha reta costuma subestimar o quanto uma pessoa realmente precisa caminhar até um parque. Em média, a distância real pelas ruas foi 43% maior do que a distância em linha reta, o que pode distorcer pesquisas anteriores que usaram apenas esse cálculo simplificado.

Efeito mais forte em áreas com menos renda

O benefício do jardim particular não foi igual para todo mundo. Ele foi mais forte entre moradores de áreas socialmente mais desfavorecidas, medidas pelo Índice de Privação de Townsend, e entre pessoas sem histórico familiar de diabetes.

Para os autores, moradores de bairros mais pobres costumam ter menos opções de lazer e de exposição à natureza, o que pode tornar o próprio quintal ainda mais relevante para a saúde metabólica.

Vale destacar que o estudo é observacional, o que significa que mostra associação entre jardim, parques e diabetes tipo 2, mas não prova uma relação direta de causa e efeito.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Jornalista e fundador da Agência Macrocosmo. Atua há 15 anos em comunicação, com foco editorial em ciência, saúde, tecnologia e cultura.