Um terço dos usuários conta segredos a chatbots de IA

Levantamento da DuckDuckGo com quase 2 mil adultos nos EUA mostra que boa parte dos usuários já contou à IA algo que nunca dividiu com outra pessoa.

(Crédito: Unsplash)

A DuckDuckGo constatou que um em cada três usuários de inteligência artificial confessa segredos a chatbots que nunca contou a ninguém. Entre entusiastas da tecnologia, o índice passa da metade.

O levantamento foi conduzido com 1.944 adultos norte-americanos, entre 17 e 27 de junho de 2026, por meio do painel online PureSpectrum. Segundo a pesquisa, 32% dos usuários de inteligência artificial já compartilharam com um chatbot uma informação que mantiveram em sigilo diante de amigos próximos, familiares, colegas de trabalho ou médicos.

Entre os que se descrevem como entusiastas de IA, esse porcentual sobe para 56%. A margem de erro da amostra completa é de aproximadamente 2,2 pontos percentuais, para um intervalo de confiança de 95%, e aumenta em recortes menores, como o de adultos entre 18 e 24 anos, com margem de cerca de 6 pontos.

Pais confiam mais em chatbots do que outros usuários

Pais e responsáveis por crianças recorrem à inteligência artificial como confidente com frequência maior do que o restante do público.

A DuckDuckGo apurou que 43% dos pais que usam IA já contaram a um chatbot algo que nunca revelaram a médico, terapeuta, amigo próximo, pai ou filho. Entre usuários de IA sem filhos em casa, esse número cai para 25%.

A maioria não sabe como os dados são usados

Grande parte dos entrevistados desconhece práticas básicas de tratamento de dados por empresas de inteligência artificial. A pesquisa da DuckDuckGo testou o conhecimento do público sobre seis fatos considerados básicos:

  • Conversas com IA podem ser intimadas por tribunais ou autoridades policiais.
  • Conversas podem se tornar públicas em processos judiciais.
  • Empregadores podem acessar contas corporativas de IA usadas por funcionários.
  • As configurações para excluir ou impedir o armazenamento de conversas variam de empresa para empresa.
  • Contas gratuitas costumam ter privacidade mais fraca do que contas pagas.
  • Funcionários humanos das empresas podem revisar as conversas dos usuários.

Segundo a DuckDuckGo, 53% dos entrevistados não sabiam ou não tinham certeza de que suas conversas são usadas por padrão para treinar modelos de IA. Apenas 25% sabiam que essas conversas podem ser intimadas judicialmente. No total, 43% dos participantes, usuários ou não de IA, desconheciam todos os seis fatos apresentados, incluindo um terço dos usuários mais ativos da tecnologia.

Conhecer a prática muda a opinião do público

Quando informados sobre como as conversas são armazenadas e usadas, 58% dos entrevistados disseram se sentir desconfortáveis com o uso de seus diálogos para treinar sistemas de inteligência artificial, sendo que 30% classificaram o desconforto como muito alto.

A confiança nas empresas do setor também é baixa. Apenas 14% confiam total ou majoritariamente nessas companhias para proteger seus dados, enquanto 39% afirmam não confiar nelas de forma alguma. O governo dos Estados Unidos teve avaliação ainda pior, com 48% dos entrevistados dizendo não confiar nele em nenhuma medida quando o assunto é proteção de dados.

A DuckDuckGo recomenda que usuários busquem ferramentas de IA com políticas de dados transparentes e citou o próprio serviço Duck.ai, que reúne modelos de diferentes empresas sem vincular as conversas a perfis de usuário, como parte dessa estratégia. Vale lembrar que a pesquisa foi encomendada e conduzida pela própria DuckDuckGo, empresa que vende produtos de privacidade digital.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Jornalista e fundador da Agência Macrocosmo. Atua há 15 anos em comunicação, com foco editorial em ciência, saúde, tecnologia e cultura.