Por que os tenistas gemem ao bater na bola

Gemido no saque pode elevar força do golpe e velocidade da bola, segundo estudos.

(Crédito: Unsplash)

O gemido dos tenistas durante o saque pode aumentar a força do golpe em até 3,8%, segundo estudo. A vocalização também eleva a velocidade do saque em 4,9%, transformando um hábito sonoro em vantagem competitiva.

O tênis é um esporte de sons discretos, limitado ao impacto da bola contra a raquete e o chão, seguido da expiração forçada do jogador. Esse grito, porém, vai além de quebrar o silêncio da quadra. Ele funciona como um potencializador de desempenho que atua no corpo e na mente do atleta.

O que a ciência explica sobre o grito

Ao Mental Floss, o treinador Nick Bolleteri, que formou alguns dos jogadores mais barulhentos do tênis, descreveu o grunhido como uma liberação psicológica e fisiológica de tensão. Segundo ele, o som ajuda a sincronizar a respiração com o momento do golpe, o que amplia o foco e a produção de força no impacto.

Mais do que apenas aliviar a pressão do jogo, o gemido conecta o ritmo da respiração ao movimento do corpo. Essa sincronia é o que sustenta os ganhos de força e velocidade observados nos estudos sobre o tema.

De onde vem o hábito de gritar

O costume se espalhou de geração em geração dentro do circuito profissional, como uma tradição transmitida entre jogadores. A tenista Serena Williams, que soma 73 títulos de simples na carreira, afirma ter se inspirado no grito da ex-tenista Monica Seles, vencedora de 59 títulos entre 1989 e 2003.

Antes delas, o hábito já aparecia em nomes históricos do esporte. Fazem parte dessa linhagem:

  • Jimmy Connors e John McEnroe, rivais nos anos 1970;
  • Rafael Nadal;
  • Novak Djokovic;
  • Roger Federer;
  • Maria Sharapova.

Sharapova ficou conhecida por gritos que chegaram a 101 decibels, volume comparável ao de um cortador de grama, o que gerou reclamações de adversárias. Em 2009, a ex-tenista Martina Navratilova chegou a classificar o grunhido como uma forma de trapaça e defendeu que a prática fosse banida.

Já a tenista Agnieszka Radwanska chamou o grito de Sharapova de “bastante irritante” e “simplesmente barulhento demais” durante o Australian Open de 2012.

Mesmo com as críticas, os gritos e gemidos seguem liberados nas quadras. Jogadores veteranos e novatos continuam recorrendo ao impulso natural, já que nenhuma entidade do esporte proibiu o hábito até hoje.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Jornalista e fundador da Agência Macrocosmo. Atua há 15 anos em comunicação, com foco editorial em ciência, saúde, tecnologia e cultura.