Crianças pedem mais aulas sobre natureza, aponta pesquisa
Pesquisa com mais de mil crianças na Inglaterra mostra pouco contato direto com a natureza, mas forte desejo de aprender a protegê-la.

Mais da metade das crianças inglesas de 11 a 14 anos nunca subiu em uma árvore. Ainda assim, três em cada quatro topariam cursar uma nova disciplina sobre natureza na escola.
A constatação vem de uma pesquisa encomendada pelo The Lost Gardens of Heligan, organização que administra um jardim, uma fazenda e uma reserva de vida selvagem de 200 acres na região da Cornualha, na Inglaterra.
O levantamento ouviu mais de 1.000 crianças e seus pais na Inglaterra e serviu de base para a resposta da organização a uma consulta pública do governo britânico sobre a criação de uma disciplina batizada de Natural History GCSE, uma nova qualificação escolar anunciada no Reino Unido (com previsão de lançamento a partir de 2029) voltada para o estudo aprofundado do mundo natural.
O que as crianças nunca fizeram ao ar livre
A pesquisa mapeou experiências comuns entre gerações anteriores que hoje são raras.
Sete em cada dez crianças nunca fizeram uma coroa de margaridas. Nove em cada dez nunca aprenderam a reconhecer pássaros pelo canto ou pela aparência. Seis em cada dez nunca colheram castanhas da Índia. Já 85% nunca pegaram girinos nem acompanharam o desenvolvimento de ovas de rã.
Mais de três quartos nunca construíram uma cabana com galhos e folhas nem identificaram uma flor silvestre, árvore, animal, pássaro ou inseto. Cerca de dois terços nunca colheram amoras ou outras frutas silvestres, nunca fizeram uma pedra pular na água nem rolaram por uma colina de grama.
Mais de 80% nunca plantaram uma árvore, montaram um hotel para insetos ou instalaram uma casinha de pássaros. Perto de 90% nunca fizeram pesquisa em poças d’água, nunca seguiram pegadas de animais nem participaram de um levantamento de fauna.
O desejo de aprender segue forte
Apesar da distância da natureza no dia a dia, nove em cada dez crianças se veem como parte dela. A mesma proporção (89%) acredita que as pessoas têm grande responsabilidade em protegê-la.
Sete em cada dez crianças disseram estar preocupadas com eventos climáticos extremos, como ondas de calor no verão. Mesmo assim, 58% permanecem otimistas quanto ao futuro da natureza.
Seis em cada dez crianças afirmaram que aprenderiam melhor com uma mistura de aulas dentro e fora da sala. Entre as atividades práticas preferidas, passeios a praias, bosques, fazendas ou reservas naturais lideraram, com 53% das escolhas, seguidos por ajudar a restaurar um habitat silvestre, com 41%.
Segundo o The Ecologist, Sir Tim Smit, cofundador do The Lost Gardens of Heligan, afirmou que uma geração que cresce com tão pouca experiência direta da natureza está dizendo que quer aprender sobre ela, e que essa mensagem deveria ser ouvida.
Por que Heligan quer trocar o nome da disciplina
A proposta do novo certificado acadêmico cobre plantas, animais, habitats e o impacto humano sobre eles, com apoio de trabalho de campo contínuo. Na resposta à consulta pública, o The Lost Gardens of Heligan pede ao Departamento de Educação que combine conhecimento científico rigoroso com trabalho de campo local, restauração de habitat, tecnologia e respostas práticas às mudanças climáticas.
A organização também defende renomear a disciplina de “Natural History” (“História Natural) para “Natural Futures” (Futuros Naturais). Segundo a pesquisa, 48% das crianças associam a expressão “Natural History” a fósseis e dinossauros, e 45% pensam em museus. Já “Natural Futures” foi associada ao futuro do planeta por 55% das crianças, à proteção da natureza por 37% e às mudanças climáticas por 30%.
Para Smit, o nome atual aponta para o retrovisor, enquanto Natural Futures olha para o para-brisa, indicando que a disciplina trata do mundo que essas crianças vão herdar e do papel que podem exercer para cuidar dele.
O Centre for Nature Futures, ligado ao Lost Gardens of Heligan, já oferece hoje aprendizado baseado na natureza para crianças e grupos escolares dentro da propriedade na Cornualha.
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