China rejeita carros elétricos usados com mais de cinco anos
Revendedores chineses recusam elétricos com mais de cinco anos por dúvidas sobre a bateria, e o mesmo problema deve chegar a outros mercados.

Revendedores de carros usados na China recusam elétricos com mais de cinco anos. A causa é a incerteza sobre a saúde da bateria, a peça mais cara do carro elétrico.
Segundo o relatório Global EV Outlook, da Agência Internacional de Energia (AIE), quatro em cada cinco revendedores chineses estão recusando comprar carros elétricos usados por temer o custo de troca da bateria.
A Associação de Revendedores Automotivos da China aponta que um elétrico de três anos hoje é revendido por cerca de 45% do valor original, ante quase 55% em 2023.
De acordo com o Rest of World, a China é o maior mercado de carros elétricos do mundo há uma década e já tem 44 milhões desses veículos circulando pelo país, o que torna o problema mais visível ali antes de chegar aos países que importam carros elétricos chineses.
Por que a bateria pesa tanto na hora de revender
A garantia da bateria costuma cobrir oito anos ou 160 mil quilômetros, e a troca pode custar um terço do valor de um carro novo, segundo Harsh Chaturvedi, consultor automotivo independente nos Emirados Árabes Unidos. Cada ano de uso consome parte dessa garantia, e depois que ela vence, o risco de uma bateria com defeito cai sobre o dono do carro.
Checar a saúde de uma bateria é simples. Qualquer elétrico moderno informa esse dado por uma porta de diagnóstico padrão, e empresas independentes já certificam o resultado. Ainda assim, revendedores raramente pedem essa leitura, e o preço continua baseado só em idade, quilometragem, garantia restante e reputação do modelo.
“Dois veículos da mesma idade e quilometragem podem ter saúde de bateria bem diferente, dependendo de como foram dirigidos e carregados”, disse Chaturvedi. “O mercado nem sempre tem uma forma simples de refletir essa diferença no preço.”
O problema já passa da China para outros mercados
As montadoras chinesas exportaram mais de 2,5 milhões de carros elétricos, o dobro do total do período anterior, segundo a AIE. A Europa foi o maior mercado, seguida pelo Sudeste Asiático, e os carros chineses já respondem por 55% das vendas de elétricos fora da Europa e dos Estados Unidos.
Nos países do Golfo, o interesse do comprador cai no mesmo ponto de cinco anos, à medida que a quilometragem sobe e a garantia da bateria se aproxima do fim.
O que realmente desgasta a bateria de um elétrico
Um elétrico médio perde pouco mais de 2% da capacidade da bateria por ano. O ritmo é lento o suficiente para manter a maior parte da bateria intacta depois de uma década, segundo estudo da empresa de telemetria de frotas Geotab, feito com 22.700 carros elétricos.
Carros que dependem de carregamento rápido perdem até 3% da capacidade por ano, o dobro do ritmo dos carregados devagar. O clima quente aumenta ainda mais esse desgaste, segundo o mesmo estudo.
Os táxis elétricos da montadora indiana Tata Motors, que rodam na frota de Chaturvedi, mostram esse limite. Rodando até 80 mil quilômetros por ano e carregados rapidamente o tempo todo, eles perderam até 8% da capacidade da bateria por ano e metade do valor de mercado em 12 meses.
Quanto vale um elétrico que ninguém quer comprar
Quando um elétrico usado não encontra comprador, o último valor que resta é o que os recicladores pagam pelos metais da bateria.
A China, primeiro país a enfrentar o problema em escala, já reage. Compradores chineses passaram a pedir laudos de inspeção de bateria, motor e eletrônica antes de fechar negócio por um elétrico usado, e as revendedoras já investem em equipamento para fazer esses testes.
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