Estudo chinês mostra que canto reduz arroto supragástrico
Pesquisa chinesa com 72 pacientes comparou canto e respiração diafragmática no tratamento do arroto supragástrico e mediu qual teve mais efeito.

Um estudo chinês mostrou que cantar 15 minutos por dia reduz a gravidade do arroto supragástrico mais do que a respiração diafragmática. A pesquisa acompanhou 72 pacientes durante uma semana de tratamento.
A pesquisa foi conduzida por uma equipe liderada pelo professor assistente Haitao Shang, do Hospital Municipal de Qingdao, na China, e publicada na revista Clinical Gastroenterology and Hepatology.
O estudo recrutou 72 adultos chineses (entre 18 e 75 anos) diagnosticados com arroto supragástrico (SGB), distúrbio comportamental em que contrações involuntárias do diafragma empurram ar para dentro e para fora do esôfago, provocando arrotos repetidos.
Os participantes precisavam apresentar o sintoma pelo menos três dias por semana havia seis meses ou mais. Metade do grupo foi sorteada para uma semana de terapia de canto, e a outra metade praticou respiração diafragmática, técnica já usada no tratamento da condição.
Como funcionou o tratamento com canto
Os pacientes do grupo de canto cantaram uma de quatro canções populares chinesas, com cerca de cinco minutos cada, três vezes ao dia. Um aplicativo de celular media a intensidade da voz, que precisava chegar a 80 decibéis para ativar o diafragma de forma adequada. Quando sentiam sintomas, os participantes cantavam por mais cinco minutos.
O grupo de respiração diafragmática seguiu um protocolo de duração semelhante, com três sessões diárias de cinco minutos e mais cinco minutos extras em caso de sintoma. Antes de começar, esse grupo recebeu uma explicação sobre as causas do arroto supragástrico e aprendeu a controlar a respiração primeiro sentado, depois em pé.
Resultados foram melhores com o canto
A taxa de resposta ao tratamento, definida como redução de pelo menos 50% na gravidade do arroto, foi o principal resultado medido pelos pesquisadores. Após uma semana, 72,2% dos pacientes do grupo de canto atingiram essa marca, contra 38,9% do grupo de respiração diafragmática.
Um mês depois do tratamento, a diferença permaneceu. Ou seja, 50% dos pacientes que cantaram ainda mantinham a resposta positiva, ante 30,6% do outro grupo. A equipe também observou uma melhora maior na qualidade de vida entre os pacientes que cantaram, medida pela escala visual analógica EuroQol, mas essa diferença desapareceu no acompanhamento de um mês.
Pacientes mais velhos respondem melhor
A idade avançada e a gravidade inicial do arroto apareceram como fatores associados a uma resposta melhor ao tratamento, segundo a análise estatística da equipe. Cada ano a mais de idade aumentou em 10% a chance de o paciente responder ao tratamento. Cada ponto a mais na pontuação inicial de gravidade elevou essa chance em 2%.
Segundo Shang, professor assistente do Hospital Municipal de Qingdao, o benefício do canto não depende de talento musical. “O benefício veio da exalação rítmica durante a vocalização diária, não do tom ou da habilidade. Qualquer pessoa que cantarolasse ou cantasse regularmente, mesmo desafinando, interrompeu o reflexo de engolir ar”, afirmou o pesquisador ao Medical Republic.
O que o estudo ainda não explica
O estudo demonstrou que a terapia de canto reduziu sintomas mais rápido do que a respiração diafragmática em um recorte curto, de uma semana de tratamento e um mês de acompanhamento. Os pesquisadores não conseguiram isolar quanto do resultado veio do canto e quanto veio da educação sobre a doença, oferecida de forma igual aos dois grupos antes do início do tratamento.
A terapia também não trouxe melhora significativa em sintomas gastrointestinais como refluxo e indigestão, nem em ansiedade ou depressão, na comparação com a respiração diafragmática. Segundo os autores, o mecanismo exato que liga o canto à redução do arroto ainda não está totalmente claro, com possível ligação a fatores psicológicos que ainda precisam de mais pesquisa. Shang informou que outro estudo, testando uma versão de quatro semanas da terapia de canto, já está em andamento.
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