Sexta-feira 13 aumenta o risco de morte?

Estudo da Universidade de Toronto cruzou 15 anos de mortes inesperadas em Ontário para testar a lenda popular.

Pesquisadores da Universidade de Toronto analisaram mais de 250 mil mortes inesperadas registradas em Ontário, no Canadá, para testar a crença de que a sexta-feira 13 traz azar. A conclusão não mostrou nenhum aumento de risco na data considerada amaldiçoada.

O estudo foi conduzido por Jeffrey Rosenthal, professor de probabilidade e estatística computacional do Departamento de Ciências Estatísticas da Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Toronto, em parceria com Jennifer Dmetrichuk, professora assistente do Departamento de Medicina Laboratorial e Patobiologia da Universidade de Toronto e responsável regional pelo serviço de legistas em Toronto.

Os dois analisaram óbitos por homicídio, acidente e causas naturais inesperadas ao longo de 15 anos, entre 2009 e 2023. O trabalho foi publicado na revista Chance.

Como nasceu a pesquisa

Rosenthal descobriu que nasceu em uma sexta-feira 13 só depois de escrever seu próprio programa de calendário e voltar até a data do próprio nascimento, em 13 de outubro.

“O fato de eu ter nascido numa sexta-feira 13 tornou este estudo mais pessoal para mim do que a maioria”, afirmou Rosenthal. Ele já havia escrito os livros “Struck by Lightning: The Curious World of Probabilities” e “Knock on Wood”, ambos sobre probabilidade e sorte.

O que os dados mostraram

A resposta é não. Comparando o índice de mortes inesperadas em sextas-feiras 13 com o de todos os outros dias, os pesquisadores não encontraram diferença relevante. A taxa em sextas-feiras 13 ficou até um pouco abaixo da média geral.

O mesmo padrão apareceu para luas cheias e para o Halloween. Nenhuma das duas datas mostrou aumento no número de mortes inesperadas no período estudado.

Por que as mortes aumentam no inverno

Os pesquisadores encontraram um efeito real, mas sem relação com superstição. As mortes inesperadas por ataque cardíaco e derrame são mais frequentes no inverno do que no verão.

Rosenthal atribui o padrão ao esforço físico típico da estação no país, como remover neve de calçadas e garagens. A atividade pode sobrecarregar o sistema cardiovascular, principalmente em pessoas sedentárias ou fora de forma.

A origem do medo do número 13

A desconfiança em torno do número 13 remonta a diversos episódios históricos. Treze pessoas participaram da Última Ceia, e uma delas, Judas, traiu Jesus Cristo.

Em 13 de outubro de 1307, uma sexta-feira, o rei Filipe IV, da França, ordenou a prisão de membros da Ordem dos Templários, episódio que levou ao fim da organização.

Para Rosenthal, o número 13 também carrega um peso simbólico por ser o primeiro valor que a mente humana não visualiza com facilidade, ao contrário de quantidades menores.

Por que as pessoas acreditam em azar

Rosenthal explica o fenômeno pelo viés de confirmação. Quando algo ruim acontece numa sexta-feira 13, a pessoa lembra e associa o fato à data. Quando o mesmo tipo de evento ocorre em outro dia, ele passa despercebido.

Um exemplo citado por ele é a explosão que atingiu a espaçonave Apollo 13, em 13 de abril de 1970. A data caiu numa segunda-feira, mas o episódio reforçou a crença popular mesmo assim.

O próprio pesquisador reconhece já ter caído nesse tipo de pensamento. Antes da eleição presidencial norte-americana de 2016, ele apostou dois dólares contra um dólar com um professor de ciência política de que Donald Trump venceria Hillary Clinton. Depois do resultado, chegou a sentir, por um instante, que sua aposta havia influenciado a eleição, algo que classifica como absurdo.

Segundo ele, o episódio ilustra a necessidade humana de encontrar relações de causa e efeito onde só existe coincidência.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Jornalista e fundador da Agência Macrocosmo. Atua há 15 anos em comunicação, com foco editorial em ciência, saúde, tecnologia e cultura.