Profissionais de áudio criaram sondas improvisadas para procurar sobreviventes sob escombros

Grupo nascido no WhatsApp reúne sonidistas, radialistas e vestuaristas de cinema para apoiar bombeiros na Colômbia.

Escombros após o terremoto em Cali, na Colômbia (Crédito: Wikimedia Commons)

Um terremoto com magnitude 7,4 devastou a cidade de Cali, na Colômbia, no último dia 10 de agosto. Dias depois, mais de 100 voluntários usaram microfones profissionais para tentar ouvir sinais de vida sob os destroços.

A iniciativa nasceu quando profissionais do audiovisual e do rádio de Cali se reuniram para ajudar após o desastre. O terremoto derrubou 46 edifícios na cidade, segundo a Prefeitura de Cali. O grupo se autodenominou Brigada Sonidistas Cali e passou a atuar em pontos como o edifício Ana Pilar, na Avenida Guadalupe, uma das áreas mais afetadas.

O grupo surgiu de um encontro casual entre amigos. Mauricio Prieto, que mora em uma zona rural da cidade, sugeriu ao irmão Daniel, um engenheiro de som profissional, que os microfones de trabalho poderiam captar sons de sobreviventes. Daniel já estava na rua com os equipamentos quando o irmão ligou.

De acordo com o site Mutante, a rede cresceu por indicação boca a boca, reunindo o coletivo de rádio experimental Nois Radio, profissionais de cinema, gestores de projetos e estudantes. Muitos nunca haviam se visto pessoalmente antes da tragédia.

Uso de sondas improvisadas

A brigada usa sondas de até cinco metros, feitas com tubos de PVC adaptados para levar um microfone a espaços estreitos. Depois, passaram a receber sondas médicas, do tipo usado em colonoscopias, compradas com doações.

Bombeiros locais chamam o equipamento de sensor. Segundo Mauricio Prieto, o termo se aplica porque o aparelho capta uma variação externa (no caso o som) e a transforma em informação útil para a busca.

Cada equipe de campo reúne quatro pessoas, incluindo dois engenheiros de som, um coordenador e um responsável por garantir silêncio ao redor do ponto de escuta. Os turnos duram até 12 horas, e o trabalho noturno costuma ser mais eficaz, por causa do menor ruído da cidade.

Antes de cada escuta, a equipe grava o som ambiente para diferenciar ruídos comuns de possíveis sinais humanos. Em seguida, faz chamados como pedir que a pessoa soterrada bata duas vezes, caso ouça a voz do socorrista resgatista.

Protocolo evita alarme falso

Quando um engenheiro de som identifica um possível sinal de vida, a gravação é levada a um técnico, que limpa o ruído de fundo em um programa de edição. Só depois da análise o áudio segue para o Posto de Comando Unificado, responsável pela decisão final.

A brigada abandonou o costume inicial de gritar “há vida” para voluntários na rua assim que ouvia algo suspeito. Segundo a coordenadora Ana Acosta, o grupo evitou o hábito para não gerar falsas esperanças às famílias.

Os áudios também alimentam mapas sonoros, cruzados com informações de cães farejadores, drones térmicos e engenheiros que conhecem a estrutura dos prédios. A brigada afirma não ter um número fechado de resgates atribuídos ao trabalho, mas cita ao menos dois ou três casos.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Jornalista e fundador da Agência Macrocosmo. Atua há 15 anos em comunicação, com foco editorial em ciência, saúde, tecnologia e cultura.