Pontes “cultivadas” por comunidades indígenas ficam mais fortes à medida que envelhecem

Na Índia, raízes de árvore viram pontes que sustentam dezenas de pessoas e só ganham resistência com o passar dos anos.

Ponte de raiz de vida dupla em East Khasi, Índia (Crédito: Arshiya Urveeja Bose/Wikimedia Commons)

Na Índia, comunidades indígenas cultivam pontes com raízes vivas de árvores há séculos. As estruturas ficam mais fortes com o tempo, ao contrário das pontes convencionais.

O estado de Meghalaya, no nordeste do país, reúne cerca de 75 pontes vivas já documentadas, construídas a partir das raízes aéreas da figueira-de-borracha, espécie conhecida cientificamente como Ficus elastica.

De acordo com o Geographical, as comunidades indígenas Khasi e Jaintia desenvolveram a técnica como resposta ao clima da região. Nas Colinas Khasi, o volume de chuva chega a quase 12 metros por ano, o suficiente para transformar rios em barreiras durante a estação de monções e isolar vilarejos inteiros.

Como as raízes viram pontes

O processo começa ainda com a árvore jovem. As comunidades guiam as raízes aéreas da figueira-de-borracha por cima dos rios com o apoio de andaimes de bambu ou troncos ocos de palmeira-areca. Com o tempo, as raízes alcançam a outra margem, engrossam e se fundem entre si.

Pontes que ficam mais fortes com o tempo

Uma ponte de raízes pode levar décadas até ficar totalmente utilizável, e sua manutenção passa de geração em geração. Algumas já são consideradas centenárias. Diferente de uma ponte comum, que se deteriora com o uso, essas estruturas ganham novas raízes conforme a árvore cresce, formando uma rede densa capaz de sustentar dezenas de pessoas ao mesmo tempo.

Mais que uma travessia

Por continuarem sendo árvores vivas, as pontes também estabilizam o solo, absorvem carbono e servem de abrigo para animais silvestres, que já foram observados usando as estruturas como parte da floresta ao redor. Pesquisadores passaram a estudar o modelo como exemplo de design regenerativo, em que a construção trabalha junto com processos naturais em vez de substituí-los. Já existem experimentos que aplicam árvores vivas na arquitetura urbana da Alemanha a partir dessa referência.

Para os Khasi, no entanto, a técnica nunca foi uma tendência de arquitetura. É uma solução prática para atravessar um território difícil, refinada ao longo de gerações de observação e cuidado.

Imagine receber conteúdos como este todas as semanas, já adaptados ao seu veículo e prontos para publicação.

Quero testar o Pautas Extras

Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Jornalista e fundador da Agência Macrocosmo. Atua há 15 anos em comunicação, com foco editorial em ciência, saúde, tecnologia e cultura.