Tontura e náusea na montanha não são apenas cansaço
Mal de altitude pode matar em até 24 horas em casos graves. Entenda os sintomas, os fatores de risco e as formas de prevenir e tratar o problema antes de subir.

Uma alemã de 33 anos precisou ser resgatada por uma equipe da polícia da província de Shizuoka, no Japão, depois de continuar a subida ao Monte Fuji mesmo apresentando sintomas de mal de altitude. O resgate aconteceu em 20 de agosto, um dia depois de a turista iniciar a trilha Fujinomiya.
A mulher começou a caminhada na manhã de 19 de agosto, na quinta estação da trilha. À tarde, ao lado de uma companheira de viagem, chegou à oitava estação, numa subida de 2.400 metros para 3.250 metros de altitude. Nesse ponto, ela já apresentava tontura, fadiga e náusea, sintomas típicos do mal de altitude. Passou por uma avaliação médica no centro de saúde da oitava estação e descansou a noite em um abrigo de montanha.
Antes do amanhecer do dia seguinte, a turista retomou a trilha e seguiu até o cume, uma subida adicional de 526 metros que, segundo o SoraNews24, leva cerca de duas horas em condições normais. Ela chegou ao topo, mas não conseguiu descer sozinha. Não está claro se os sintomas voltaram durante a subida ao cume ou na descida.
De volta à oitava estação, a turista passou mal outra vez e retornou ao centro médico. A equipe considerou arriscado deixá-la descer por conta própria e acionou o time de resgate da polícia, posicionado perto da nona estação. Os socorristas a transportaram de bulldozer (um trator pesado de esteiras) até a quinta estação, onde a trilha encontra a rede de estradas. De lá, uma equipe de paramédicos a levou ao hospital para exame e tratamento.
Após o caso, a Polícia da Província de Shizuoka reforçou a orientação de que qualquer sinal de mal-estar durante a subida deve interromper a caminhada.
O que é o mal de altitude
O mal de altitude pode surgir em apenas algumas horas após subidas rápidas acima de 2.438 metros. Quase todos os viajantes que sobem depressa até 3.352 metros desenvolvem a condição, que em casos graves mata em até 24 horas.
A doença acontece porque o corpo não tem tempo de se ajustar à queda na quantidade de oxigênio disponível no ar rarefeito das grandes altitudes. Ela aparece em três formas, da mais leve até a mais perigosa. O mal agudo das montanhas é a versão mais comum, com dor de cabeça, o sintoma mais frequente, além de náusea, cansaço e tontura logo no primeiro dia em altitude.
O edema pulmonar de altitude faz líquido se acumular nos pulmões e pode matar em até 12 horas. O edema cerebral de altitude é a forma mais grave, provoca inchaço no cérebro e exige atendimento de emergência. As formas graves costumam surgir entre dois e cinco dias depois da chegada a grandes altitudes.
Quais são os sintomas de alerta
A dor de cabeça é o sintoma mais comum do mal agudo das montanhas. Outros sinais incluem perda de apetite, mal-estar geral, insônia e dificuldade para dormir. Alterações na visão são raras e costumam indicar uma forma mais grave do problema, causada por rompimento de vasos sanguíneos na retina.
O que aumenta o risco de desenvolver a doença
A velocidade da subida é o fator de risco mais importante. Quem chega de avião a um destino de altitude corre risco maior do que quem sobe caminhando, de bicicleta ou de carro. Álcool e sedativos, com ou sem prescrição médica, também aumentam bastante a chance de desenvolver o problema.
Um erro comum é achar que a boa forma física protege contra o mal de altitude. Isso não é verdade, embora a doença possa piorar sintomas de condições já existentes, como anemia e doença pulmonar obstrutiva crônica.
Como o diagnóstico é feito
O diagnóstico é clínico, baseado no exame físico e nos sintomas relatados pelo paciente. O médico verifica respiração, pressão arterial e frequência cardíaca, além de avaliar coordenação motora para descartar sinais de edema cerebral. Radiografias podem mostrar acúmulo de líquido nos pulmões, e exames de ressonância magnética ajudam a identificar inchaço no cérebro.
Como tratar o mal de altitude
Descer para uma altitude mais baixa é a única forma de reverter o quadro por completo. Nos casos leves, parar a subida e descansar já ajuda o corpo a se adaptar. Oxigênio suplementar alivia parte dos sintomas, e medicamentos como acetazolamida, dexametasona e nifedipina podem tratar o problema e atrasar complicações mais sérias.
Bolsas hiperbáricas portáteis, batizadas de bolsas de Gamow em homenagem ao inventor Igor Gamow, simulam uma altitude menor. Elas ganham tempo até que a pessoa seja levada a um local mais baixo.
Quando procurar ajuda médica de emergência
Falta de ar mesmo em repouso é um dos sinais mais graves. Dor ou aperto no peito, perda de coordenação, confusão mental e fala arrastada também exigem atendimento imediato. O edema pulmonar e o edema cerebral de altitude podem ser fatais em poucas horas, e o tratamento rápido é essencial.
Como prevenir o mal de altitude
De acordo com o Cleveland Clinic, subir devagar é a principal forma de prevenção. Acima de 2.500 metros, a recomendação é avançar entre 300 e 500 metros por dia, contando a partir do local onde a pessoa dormiu na noite anterior. Dias de descanso para aclimatação também ajudam, com uma pausa inicial acima de 2.500 metros e uma parada a cada três dias de subida.
Medicamentos preventivos como acetazolamida e nifedipina, além de inibidores da PDE como sildenafila e tadalafila, também podem ser usados antes da viagem, sempre com orientação médica.
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