Restrição calórica reduz tumor de mama? O que a ciência revela
Estudo chinês com camundongos aponta que restringir calorias reduz tumores de mama ao mudar a comunicação com o sistema imunológico.

Um estudo com camundongos mostra que reduzir as calorias diminui tumores de mama. A causa está numa mudança na comunicação entre células tumorais e o sistema imunológico, segundo pesquisadores chineses.
A descoberta partiu de um trabalho conjunto entre o Sun Yat-sen University Cancer Center, o Guangdong Provincial People’s Hospital e o Hospital do Câncer da Faculdade de Medicina da Universidade de Shantou, na China, assim como na St. John’s University, em nos EUA. A equipe publicou os resultados na revista Cancer Research.
Os camundongos com tumor de mama passaram por um ciclo de restrição calórica ao longo de três semanas. O protocolo alternou um dia com 50% menos calorias, três dias com 90% menos calorias e três dias de alimentação livre.
Como a dieta interfere na comunicação do tumor
O mecanismo identificado envolve os fibroblastos associados ao câncer, células de cicatrização que o tumor recruta e reprograma para o próprio benefício. A sigla em inglês para essas células é CAF.
Com menos glicose disponível, as células tumorais dos camundongos em restrição calórica se romperam com mais frequência. Isso reduziu a liberação da proteína PDGFC, molécula que o tumor usa para se ligar aos CAFs e suprimir o sistema imunológico.
O que mudou dentro do tumor
A queda na sinalização por PDGFC diminuiu a proporção de CAFs inflamatórios, um subtipo que ajuda o tumor a escapar da resposta imune. Ao mesmo tempo, cresceu a proporção de células tumorais com sinais de morte celular programada.
O ambiente ao redor do tumor ficou menos hostil às células de defesa do organismo. Isso permitiu a entrada de mais células do sistema imunológico para atacar o tumor, segundo a análise por sequenciamento de RNA feita pela equipe.
Combinação com remédio ampliou o efeito
Os pesquisadores testaram ainda a restrição calórica junto com um inibidor de PDGFR, droga que bloqueia a formação de vasos sanguíneos do tumor. A combinação enfraqueceu ainda mais o ambiente imunossupressor do tumor nos camundongos.
O resultado sugere que a dieta pode reforçar terapias contra o câncer já existentes, sem substituí-las.
De camundongos a pessoas
O estudo usou só camundongos, sem qualquer teste em pessoas. Os próprios autores afirmam que grandes ensaios clínicos ainda são necessários para validar a eficácia, a segurança e a viabilidade do método em pacientes com câncer.
A pesquisa também não detalhou como os CAFs inflamatórios afetam o comportamento das células de defesa dentro do tumor. Também não ficou claro se o mecanismo se repete em outros tipos de tumor além do de mama.
Testes clínicos já começaram, diz autora do estudo
Yang Lu, médica do Guangdong Provincial People’s Hospital e autora correspondente do estudo, contou à Sixth Tone que pacientes sempre perguntam o que devem comer durante o tratamento. A equipe já começou a incluir recomendações de dieta baseadas no protocolo testado em ensaios clínicos com pacientes de câncer.
Segundo Yang, os planos alimentares ainda variam de paciente para paciente. “As pessoas têm estilos de vida e diferenças individuais muito diversos”, disse a médica. “Conforme a pesquisa avança, esperamos desenvolver planos de nutrição personalizados para diferentes pacientes.”
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