Este atleta reduziu em mais de 90% o custo dos carboidratos usados em treinos
Esquiador olímpico troca bebida e gel esportivo caros por açúcar de mesa e bala de goma sem perder desempenho.

O esquiador cross-country Zach Ketterson, pré-candidato ao time olímpico dos Estados Unidos, gasta apenas US$ 2,37 (ou R$ 12,09) em carboidrato para um treino de três horas. O valor é cerca de 13,5 vezes menor que o de produtos esportivos premium para a mesma quantidade de energia.
Ketterson treina em Oslo, na Noruega, uma das cidades mais caras do mundo, e adaptou o próprio plano de alimentação durante o exercício para caber no orçamento. Ele baseia as doses de carboidrato nas recomendações do Gatorade Sports Science Institute, que define a quantidade ideal conforme a duração e a intensidade do treino. O instituto separa a recomendação por faixa de tempo de exercício.
- Até 30 minutos, em ritmo leve: nenhum carboidrato extra é necessário.
- De uma a duas horas: pelo menos 30 gramas por hora.
- De duas a três horas: 60 gramas por hora.
- A partir de duas horas e meia: até 90 gramas por hora.
Para uma sessão leve de três horas, a meta de Zach Ketterson é de cerca de 240 gramas de carboidrato.
Bebida feita com açúcar de mesa
Em vez de misturas esportivas prontas, Ketterson usa açúcar de mesa comum na garrafa de água.
“Eu sei que 31 g de açúcar são 31 g de carboidrato. Vamos começar com três colheres de açúcar, o que me levaria a cerca de 90 g”, afirmou Ketterson à BoxLife, que recomenda dissolver bem o açúcar para evitar que ele se acumule no fundo da garrafa. Um pacote de 1 quilo custa US$ 3,70 (R$ 18,88) e rende 1.000 gramas de carboidrato.
Bala de goma como fonte extra de energia
Para reforçar a ingestão durante o treino, Ketterson recorre a uma bala de goma comum vendida na Noruega com o nome comercial Sugmen. Cada 100 gramas do doce tem 76 gramas de carboidrato.
“Aqui temos oito balas de goma, que são 50 g, o que significa que cada oito balas tem cerca de 38 g de carboidrato. Então, isso significa que eu provavelmente quero comer de seis a oito destas a cada 30 minutos”, disse o esquiador. Um pacote custa US$ 1,80 (R$ 9,19) e fornece 152 gramas de carboidrato.
Quanto custa perto de produtos premium
Ketterson comparou o próprio método a marcas premium como a Maurten. Uma mistura Maurten 320 (80 g de carboidrato) somada a sete géis Maurten 100 (25 g cada) rende 255 gramas de carboidrato e custa US$ 32 (R$ 163,29) por treino.
A versão caseira de Ketterson entrega 264 gramas de carboidrato, uma economia de quase US$ 30 (R$ 153,09) por sessão. É uma lógica parecida com a do soro caseiro contra desidratação. Ou seja, menos sofisticado que um produto industrializado, mas com o mesmo efeito prático.
A proporção de frutose e glicose importa menos do que parece
Muitos atletas de resistência acreditam que bater 90 gramas de carboidrato por hora exige uma proporção ideal de 2 partes de frutose para 1 de glicose. Ketterson questiona essa regra com base na própria experiência, não em um estudo controlado.
“Não importa. Eu prometo. Faço essa estratégia de alimentação há vários anos e meu estômago nunca teve um único problema”, disse. Segundo ele, a proporção só faz diferença em consumos extremos, de 120 a 150 gramas por hora, faixa que a maioria dos atletas nunca precisa alcançar fora de tentativas de recorde em provas de ultrarresistência.
Eletrólitos e quando vale usar o produto caro
A principal diferença entre a mistura de Ketterson e os produtos comerciais são os eletrólitos. A solução dele é uma pitada de sal na água com açúcar. Quem treina em calor e sua muito pode precisar de um pouco mais de sal.
Ketterson não descarta os produtos premium por completo. “Em dia de prova, ou se você está fazendo algo super importante, como o American Birkebeiner [tradicional prova de esqui cross-country dos Estados Unidos] eu diria use o produto caro, não se sinta mal por isso”, afirmou.
Para o treino diário, porém, ele defende a alternativa barata como forma de manter o atleta amador dentro das recomendações científicas sem pesar no bolso. “É melhor fazer de um jeito um pouco menos ideal, mas que você realmente pode pagar, do que gastar tipo US$ 500 [R$ 2551,45] por semana com nutrição, ou pior, ficar tão intimidado pelos preços a ponto de simplesmente não se alimentar direito”, disse Ketterson.
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