Preço do whey dispara e indústria de alimentos aposta em proteína vegetal
NNB Nutrition e Axiom Foods lançam o PeptiClear, proteína vegetal hidrolisada que promete sabor neutro e desempenho próximo ao do whey.

As norte-americanas NNB Nutrition e Axiom Foods lançaram o PeptiClear, proteína vegetal alternativa ao whey. A novidade chega em meio à escassez e à alta recorde no preço do soro do leite internacionalmente.
O que é o PeptiClear
O PeptiClear é uma linha de proteínas vegetais hidrolisadas, ou seja, quebradas em partículas menores para ficarem mais solúveis e com sabor mais neutro. A tecnologia ataca um problema comum das proteínas vegetais tradicionais, que tem sabor forte, textura arenosa e aparência turva.
As novas proteínas são transparentes e concentradas. Elas funcionam em bebidas funcionais, sorvetes e sobremesas geladas, molhos, condimentos, produtos de confeitaria, panificação e snacks proteicos.
A NNB Nutrition também apresentou o DL-185, peptídeo dietético formado por duas moléculas de leucina ligadas naturalmente. Segundo a empresa, pesquisa clínica indica que o DL-185 estimula a síntese de proteína muscular cerca de 60% mais do que a leucina isolada, e gera ganhos de força maiores em praticantes de treino de resistência.
Dustin Elliott, diretor de marca da NNB Nutrition, afirmou que a proposta não é copiar o whey. “O futuro da proteína não é sobre substituir o whey, é sobre expandir a capacidade do mundo de entregar proteína de alta qualidade em todos os formatos de alimento”, disse ao Green Queen. Elliott completou que a demanda dos consumidores tem superado a oferta tradicional de laticínios, e a indústria precisa de soluções que unam funcionalidade, escala e desempenho.
As duas empresas já colaboram em outra frente, o Protein+, linha de produtos nutricionais à base de proteína vegetal formulada para os mercados da Ásia e da América do Norte.
Por que o whey está mais caro
O whey é historicamente um coproduto da indústria de queijo e vem enfrentando um surto de demanda em todo o mundo, principalmente nos EUA. No país, médicos estão recomendando rotineiramente o uso de whey protein para pacientes que utilizam remédios emagrecedores (como Ozempic e Wegovy) para evitar a perda severa de massa muscular magra.
Além disso, também existe um movimento da indústria alimentícia global que começou a injetar whey em produtos cotidianos (iogurtes, cafés, cereais, salgadinhos e barras proteicas).
Os preços bateram recorde em 2025 e seguem subindo. Nos últimos dois anos, a proteína concentrada de whey encareceu 108%, e a proteína isolada de whey quase dobrou de preço.
Magi Richani, fundadora e CEO da startup californiana de proteínas alternativas Alpine Bio, disse que a oferta de whey tem um limite estrutural. “Isso significa que a oferta é estruturalmente limitada pela produção de queijo, pela capacidade da indústria de laticínios e, em última análise, por quantas vacas existem. Não dá para fazer essa oferta disparar”, afirmou.
Imagine receber conteúdos como este todas as semanas, já adaptados ao seu veículo e prontos para publicação.
Quero testar o Pautas ExtrasSobre o Autor