Teste detecta bactéria da febre maculosa em 40 minutos

Novo teste detecta a febre maculosa em 40 minutos, mas nem sempre acerta em cães infectados

O carrapato-amarelo-do-cão, um dos vetores da doença no Brasil. (Crédito: Christopher Paddock/Wikimedia Commons)

Pesquisadores da Universidade de Missouri, nos EUA, criaram um teste que detecta a bactéria da febre maculosa em cerca de 40 minutos. A tecnologia combina amplificação isotérmica com o sistema CRISPR/Cas12a.

Sezayi Ozubek, Huitao Liu e Roman Ganta, do Departamento de Patobiologia e Ciências Biomédicas Integrativas da instituição norte-americana, conduziram o estudo, que saiu na Frontiers in Microbiology.

A febre maculosa das Montanhas Rochosas, causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, afeta cães e pessoas nas Américas e pode matar quando o diagnóstico demora. O novo exame roda em duas etapas isotérmicas, sendo a amplificação por recombinase polimerase (RPA), que leva 20 minutos a 37 graus Celsius, seguida pela detecção via CRISPR/Cas12a, com mais 20 minutos na mesma temperatura.

Em testes com padrões sintéticos de DNA, o limite de detecção observado ficou entre 60 e 70 cópias do gene-alvo por reação.

Como funciona o teste em duas etapas

A amplificação por RPA copia um trecho específico do gene vut, presente na Rickettsia rickettsii. Esse gene funciona como um transportador de nutrientes que a bactéria usa dentro das células do hospedeiro.

O sistema CRISPR/Cas12a reconhece a sequência amplificada e libera um sinal fluorescente quando encontra o alvo certo. Uma pessoa consegue ler o resultado a olho nu sob luz ultravioleta ou medir o sinal em um leitor de microplacas.

Teste identificou quatro cepas sem erro

A equipe validou o método com quatro cepas de Rickettsia rickettsii: Sheila Smith, Morgan, Iowa e Hlp#2. Os dois conjuntos de iniciadores desenvolvidos para o exame detectaram todas corretamente.

Em seguida, os pesquisadores confrontaram o teste com outras bactérias transmitidas por carrapatos, entre elas Rickettsia amblyommatis, Rickettsia montanensis, Rickettsia philipii, Rickettsia conorii, Rickettsia parkeri, Anaplasma marginale, Anaplasma phagocytophilum, Ehrlichia chaffeensis e Ehrlichia canis.

Nenhuma delas gerou sinal positivo, o que indica boa especificidade do exame para a Rickettsia rickettsii.

Detecção em cães infectados foi intermitente

A equipe também aplicou o teste a amostras de sangue arquivadas de seis cães da raça beagle, infectados experimentalmente em outro estudo com as cepas Sheila Smith e Morgan. As coletas cobriram do dia 0 ao dia 15 após a infecção.

Apenas três dos seis cães apresentaram resultado positivo, e cada um só em um dia específico, um animal do grupo Sheila Smith no terceiro dia após a infecção, e dois do grupo Morgan, no quinto e no nono dia. Os pesquisadores atribuem esse padrão à baixa quantidade e à presença irregular da bactéria no sangue circulante, já que a Rickettsia rickettsii se concentra principalmente nas células que revestem os vasos sanguíneos.

Ainda não substitui os exames tradicionais

Segundo os autores, o novo exame não substitui o PCR quantitativo usado hoje em laboratórios. Ele funciona como opção complementar para locais com pouca infraestrutura, já que dispensa equipamento de ciclagem térmica e entrega resultado em cerca de 40 minutos.

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Sobre o Autor

Hemerson Brandão
Hemerson Brandão

Jornalista e fundador da Agência Macrocosmo. Atua há 15 anos em comunicação, com foco editorial em ciência, saúde, tecnologia e cultura.